Feliz em Meio à Dor?

Esse foi o título do meu primeiro texto aqui no blog, há quase nove meses. Fazia um pouco mais de quatro meses que o Anderson havia falecido e eu estava há procura dessa resposta: Será que um dia voltarei a ser feliz, mesmo com essa dor terrível que marcou a minha vida para sempre?

Naquela época, já havia passado pela fase da negação, quando meu inconsciente ainda esperava pelo seu retorno. Lembro-me de sair bastante, me divertir bastante, rir bastante nos primeiros trinta dias que sucederam o acidente: tudo um mecanismo de defesa desesperado do meu inconsciente tentando me convencer que estava tudo bem.

Depois disso veio a fase da raiva. Raiva do motorista que o matou. Raiva de Deus que não o protegeu. Raiva da igreja que me ensinou por anos e anos que se você é cristão e entrega sua vida a Deus está isento de tragédias. Raiva de mim por… por… por continuar viva. Para extravasar, comecei aulas de Krav Magá, uma luta de defesa pessoal. Golpear e ser golpeada, sentir dor e infligir dor, aplacava a minha ira.

E então, quando compreendi que não fazia sentido odiar a Deus e ao mundo, pois isso não traria o Anderson de volta, teve início a fase mais dolorosa de todas: a depressão. Eu já havia encarado o fato de que ele realmente havia morrido, que não era um sonho ou um engano, e também havia me dado conta de que isso era definitivo, irreversível.

Aí a ferida começou a sangrar, jorrar, pulsar. Minha vida se resumiu a um buraco tão profundo que não era possível enxergar abertura. Eu, uma pessoa antes tão positiva e otimista, cheguei a conclusão que os dias nessa terra não faziam mais sentido algum pra mim. Era um corpo que se arrastava. Uma casa sem luz, com portas e janelas trancadas e cortinas fechadas. Era uma flor que murchava um pouco mais a cada dia.

Foi nessa época que criei o blog, pois senti a necessidade de despejar os sentimentos entalados na garganta. Precisava escrever. E vocês sentiram a minha dor, me acolheram e me incentivaram. Então percebi que eu não deveria simplesmente utilizar esse espaço para vomitar minhas amarguras, mas que aqui eu poderia receber o afeto de todos e compartilhar minhas lutas e vitórias para quem também estivesse passando por sua batalha pessoal.

Em cada texto, cada comentário, cada conversa, compreendi que cada um tem o seu luto e que nem todo luto está relacionado à morte de uma pessoa. Às vezes o que morre são sonhos. Às vezes é o amor. Frequentemente o que morre é a fé… E como toda morte, deixa um buraco, abre uma ferida. E cada um carrega consigo a sua dor. A maioria da melhor maneira possível, sem deixar de crer que um dia alcançará aquela luzinha que brilha no fim do túnel.

Vocês me ensinaram essas coisas e Deus (ah, e Deus!) me sustentou. Me abraçou. Me mostrou que se importa, que se preocupa, que não é porque permitiu que o Anderson partisse que Ele não estava comigo ou não me amava. Ele me apontou a Cruz e disse: “Aí está a prova do meu amor!” e essa Cruz ganhou um novo significado pra mim, me devolveu a vontade de viver, me fez ver um propósito nos dias que ainda me restam nesse mundo.

E dessa forma, a ferida foi sarando. Uma nova história foi sendo construída. A dor ainda estava presente, a saudade então… nem se fala. Mas aprendi que é possível continuar caminhando, mesmo carregando uma sombra no coração.

Então entrei na última fase do luto: a aceitação. Confesso que no início lutei com unhas e dentes contra ela, pois achava que aceitar que a vida continua mesmo sem o Anderson ao meu lado seria o mesmo que abandoná-lo, deixá-lo para trás. Mas quando percebi que era simplesmente IMPOSSÍVEL esquecer a nossa história e ignorar a importância dele na minha vida, percebi que queria voltar a viver. Viver de verdade, sorrir de verdade.

E desejando voltar a viver, me atrevi a voltar a andar. Viajei pra Itália. Comecei a faculdade de teologia. Assumi a liderança do grupo de jovens da igreja. Voltei ao trabalho do qual havia me afastado quando o acidente aconteceu.

Já estava me acostumando a caminhar com a tal sombra no coração. As coisas não tinham mais o mesmo brilho, o futuro não me parecia mais tão interessante, mas ainda sim, continuava caminhando. Minha máxima era: “Não sonhe com o amanhã, viva o hoje. Amanhã pode não chegar”. A minha dor ainda não me permitia sonhar. Afinal, como projetar um futuro, se descobri que ele pode não chegar? Como alimentar sonhos, se eles podem ser facilmente destruídos?

A sombra estava ali. Não me impedia mais de viver, mas ainda bloqueava a minha visão do amanhã.

Até que um dia, uma luz rompeu o lado sombrio do meu peito.

“Oi! Sei que a gente nunca conversou, mas estou mandando isso para todas as mulheres do meu whatsapp. Então… Feliz dia da Mulher”. Foi assim, com uma frase tão simples, que mais uma vez a minha vida mudou.

Pensava que nunca mais amaria outro homem. QUERIA nunca mais amar ninguém. Mas ele me conquistou, quebrou minha rigidez e atravessou a armadura que eu vestia. Criamos um vínculo quase imediato e não demorou pra eu desejar manter esse vínculo pra sempre.

Em poucos dias o Alisson (mas podem chamar de LASO, se quiserem) devolveu a cor para os meus dias que passei um ano tentando recuperar. Ele, com sua leveza e alegria, com o seu amor e carinho sinceros, afastou do meu coração a sombra que me impedia de olhar para o amanhã.

E hoje… hoje temos sonhos. Sonhamos com um futuro. Já brigamos pelo nome dos filhos. Mas pelo menos chegamos ao acordo que teremos um cachorro, um gato e uma coruja. Não conseguia sonhar sozinha por não ver sentido em criar expectativas quanto ao porvir, mas conhecer esse homem maravilhoso me fez desejar um amanhã ao seu lado. E um depois de amanhã. E um depois de depois de amanhã…

A cicatriz? Continua aqui. Cada um carrega a sua dor e essa é a minha. Mas nessa caminhada aprendi que é possível ser Feliz em Meio à Dor.

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E com este texto me despeço de vocês, queridos amigos, aqui no blog. Como disse, minha necessidade de escrever era para expressar minhas angústias e dores. Louvo a Deus por hoje não sentir mais essa necessidade – obviamente, não por não gostar de escrever (pelo contrário!), mas porque isso indica que Deus cuidou das minhas feridas.

Mas ainda nos encontraremos semanalmente no canal do YouTube: Gabi Padilha!
Nos vemos novamente no sábado. Até lá, Tchau!

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Valorize-se, mulher!

E aí, povo de Deus!

Neste sábado conversamos um pouco sobre a auto-preservação – e também sobre a auto-exposição.

Afinal, o que leva uma pessoa a se vestir indecentemente? Carência? Pra chamar atenção? Pra mostrar suas qualidades físicas?
Nós não precisamos dessa ferramenta pra demonstrarmos a nossa importância, o quanto somos únicas e especiais! Nosso valor excede ao de muitas jóias, a ponto de o Criador de todas as coisas escolher morrer para nos salvar!

Então valorize-se, pois você é muito especial!

Vídeos Recentes

E aí, povo de Deus!

Neste post compartilho com vocês os últimos dois vídeos do canal.

No primeiro, converso um pouco sobre a questão do “ficar”, do beijar sem estar comprometido, e qual deve ser o posicionamento do cristão sobre o tema.

O segundo é uma paródia muito engraçada de que eu e os jovens da minha igreja gravamos com um propósito evangelístico: mostrar que, embora o verdadeiro cristianismo nos exija renúncias, Deus deseja que continuemos a sorrir e nos divertir. Sim, é possível continuar fazendo palhaçadas depois de se entregar a Jesus!

Sorria sempre!

E aí, povo de Deus!

No vídeo deste sábado comecei um projeto muito interessante: o pote de sorrisos.

Funciona assim: Sempre que algo me trouxer alegria, me fizer sorrir, vou registrar esse momento em um bilhetinho e guardar em um pote. Dessa forma, não importa quantas dificuldades eu tenha em 2016, tenho certeza que ao final do ano vou me impressionar com a quantidade de coisas que alegraram a minha vida.

Vamos tentar?

Delineado FAIL e Faculdade Nova

E aí, povo de Deus!

No vídeo de hoje faremos um Maquia & Fala muito divertido! Tentei ensiná-los a fazer um delineado gatinho, que não deu muito certo…

E também contei um pouco sobre a minha confusa jornada acadêmica.

Vamos ver no que deu essa bagunça?

Não quero ir no culto!

E aí, povo de Deus!

Como vocês estão? E como vai sua vida cristã?

Você reparou que quando seu relacionamento com Deus está meio capenga, participar das atividades da igreja parece não ter muito sentido?

Pois é sobre isso que conversaremos hoje: o real significado em servir a Cristo e participar de seu Corpo – a comunidade cristã.

3 Dicas pra ser feliz hoje!

E aí, povo de Deus!

Ainda na vibe de promessas de ano novo, hoje vou falar sobre a mais clichê de todas: Ser Feliz.

Preciso admitir que fico bastante preocupada com a fórmula da maioria das pessoas pra alcançar a felicidade, que normalmente se resume a prosperidade financeira, vida sexual ativa e agito social.

Puro engano.

A bíblia nos fala sobre essa temática e em Eclesiastes ela nos adverte que tudo é vaidade.

Porém há alguns conselhos que vale a pena agregar nessa procura, que são…

Ah, melhor ver o vídeo!

Promessas de fim de ano

E aí, povo de Deus!

Vocês já fizeram sua listinha de metas pra 2016?
Pois é, eu… não!
Depois de apanhar um pouco nessa vida e refletir sobre o assunto, compartilho com vocês porque acredito veementemente que todos deveríamos tacar fogo nessa maldita listinha que a gente nunca dá conta de cumprir!

E… Ah, sim…
Feliz ano novo, meu povo!

Saudades de falar com você

Oi, meu amor!

Quanto tempo… Passei aqui só para dizer que estou com saudades.

tumblr_lfgeg9PzCo1qewa1jo1_500_largeSinto falta de acordar com o seu beijo, de ter seu rosto como a última imagem antes de dormir. Tenho saudade das nossas caminhadas no fim de tarde e da massagem que fazíamos nos pés um do outro depois disso. Gostaria de provar novamente aquela pizza que só você sabe fazer e de depois ir deitar de barriga cheia, só pra ficar conversando sobre a vida no escuro, sem pressa pra dormir.

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